Sentidos e horizontes da educação são tema de mesa redonda

Madalena Freire aborda o tema ”Da paixão de aprender à paixão de ensinar”. Foto: Juliana Simões
Madalena Freire aborda o tema ”Da paixão de aprender à paixão de ensinar”. Foto: Juliana Simões

Nesta quinta-feira (13/10), terceiro dia do 5º Congresso Internacional Marista de Educação e, também, do 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias, os participantes acompanharam a mesa redonda sobre o tema “Educação do amanhã: sentidos e horizontes”, coordenada pelo Irmão da Província Marista Brasil Sul-Amazônia (PMBSA), Manuir Mentges, ao lado dos facilitadores Pedro Demo, professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília  (UnB), e  Madalena Freire, coordenadora do curso de formação de professores de educação infantil no Instituto de Educação Superior (Pró-Saber/RJ).

Madalena Freire iniciou o debate ao abordar o tema “Da paixão de aprender à paixão de ensinar”. Com foco central no sujeito, ela salientou que a paixão de aprender, no fundo, é viver uma eterna agonia, ansiedade e questionamentos. “Os educadores necessitam localizar a inspiração da concepção de educação, que eu denomino como democrática. A concepção é centralizada no ser humano, naquele que pensa, constrói conhecimento com capacidade e competência para o pensar reflexivo”, argumentou.

De acordo com Madalena, o bem valioso do ensinar e aprender não é o conteúdo da matéria, mas o humano que aprende e é multiforme. “Nós só vamos aprender por amor ou ódio. E o contrário do amor não é o ódio, é a negação do sujeito humano. Ele é a preciosidade da educação”, afirmou a facilitadora. Segundo a pedagoga, o sujeito da aprendizagem nasce no grupo privado familiar, que também exerce papel de educador. “A escola dicotomiza e exclui a família da prática e reflexão de educar”, criticou Madalena, ao provocar os presentes a pensar a escola não como a extensão da família, mas como espaço público de educação.

Pedro Demo assumiu a segunda parte do debate ao apresentar o tema “Para aprender como autor”. Na fala, sinalizou que mudar a escola pressupõe mudar o professor e que o currículo não é o maior problema das escolas. “O maior problema é que não se aprende”, alertou. Para ele, no atual cenário educacional, é necessário substituir o sistema de ensino pelo sistema de aprendizagem. “Por que a escola de hoje não é feita para o estudante aprender, mas sim para o professor dar aula”, ratificou. Para Demo, aprender como autor pressupõe a educação que vem de dentro, com conhecimento científico. “É tornar o estudante um pesquisador, para que possa pensar e fazer a leitura da realidade”, explicou.

Dados apresentados pelo palestrante apontam que, na cidade do Recife, a evolução no nível de aprendizagem dos estudantes, dos 4º/5º anos do Ensino Fundamental, saltou de 11,6% (2005) para 29,2% (2013), em Língua Portuguesa. No caso da Matemática, a aprendizagem na disciplina teve aumento de 4,4% (2005) para 21,6% (2013). Nos 8º e 9º anos, os índices em Língua Portuguesa são de 6,4% (2005) e 20,1% (2013) e, em Matemática, 3,6% (2005) e 8,3% (2013). “Essa evolução é pouca. Copiar conhecimento não adianta. O estudante precisa saber se confrontar, precisa saber construir conhecimento e questionar esse conhecimento”, afirmou.

 

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