Por uma educação com mais emoção e espiritualidade

Marcelo Barros, Monja Coen e Ir.Murad sugerem educação integradora. Foto: Reinaldo Fontes
Marcelo Barros, Monja Coen e Ir.Murad sugerem educação integradora. Foto: Reinaldo Fontes

A poesia Retrato, de autoria de Cecília Meireles, serviu de inspiração para o início da mesa redonda no tema “Emoção, Espiritualidade e Ciência”, realizada, na tarde desta quinta-feira (13/10), durante o 5º Congresso Internacional Marista de Educação, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/PE. A atividade, mediada pelo coordenador da área de Vida Consagrada e Laicato da União Marista do Brasil (UMBRASIL), Ir. Natalino Souza, contou com a colaboração dos palestrantes Afonso Murad, Irmão da Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN), Marcelo Barros, Monge Beneditino da Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT), e Monja Coen, do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e ViaZen.

Com o objetivo de convidar os congressistas à reflexão do tema da espiritualidade na educação, Ir. Afonso Murad explanou sobre a encíclica do Papa Francisco Laudato Si e a educação Cristã – ecologia integral e o cuidado com a casa comum. Para o Irmão, o desafio dos educadores é formar estudantes cidadãos, conectados ao mundo. “Como desenvolver a consciência planetária nos estudantes?”, questiona Ir. Afonso aos presentes, ao responder. “Primeiro pelo encantamento e segundo pela indignação que suscita a consciência na gente; precisamos retomar a perspectiva de que tudo está interligado e superar o antropocentrismo”, exemplificou, ao trazer elementos importantes na fala sobre o cuidado com o planeta.

Religiosos acolhidos pelo mediador, Ir.Natalino Guilherme Souza. Foto: School Picture
Religiosos acolhidos pelo mediador, Ir.Natalino Guilherme Souza. Foto: School Picture

Para Ir. Afonso Murad, o espírito de Deus se faz presente no mundo e ele renova a criação. “Cada criatura tem valor por si mesmo, independente da sua importância para o outro. Esse novo olhar, de respeito, tem que tocar as ações pedagógicas”, argumentou ao afirmar que a escola confessional deve investir no conhecimento e nas relações.

Murad alertou, ainda, para o perigo do paradigma tecnocêntrico quando é utilizado de maneira incorreta. “Que futuro estamos deixando para as futuras gerações?”, questiona, mais uma vez, o Irmão. A partir dessa indagação, ele relatou que o planeta passa por uma crise socioambiental e o Papa Francisco propicia um novo estilo de vida. “Ele nos convida à conversão pessoal. Precisamos investir nos leigos e na formação de jovens protagonistas, na política ambiental, estimular visitas a parques ambientais e promover a alimentação saudável e o exercício da ecoespiritualidade”, indicou.

À luz do tema do debate, a Monja Coen, na ocasião, relembrou que os seres humanos estão irmanados biologicamente e integram uma única espécie. Além disso, lembrou da crise pela qual o mundo passa. “Estamos vendo coisas perigosas no mundo, como o neonazismo, por isso é preciso educar para que as pessoas não sejam manipuladas e aprendam a pensar e a fazer escolhas”, disse. Para ela, o mais importante para o professor é amar a profissão e os estudantes.

Na sequência, Monja Coen elucidou que as realidades devem ser adaptadas para o que é verdadeiro e traz sentido.  “Quais os valores pelos quais fazemos as nossas escolhas? Na sala de aula é importante ter o professor aberto a ensinar. Mais importante que formar currículo é formar o ser humano”, afirmou ao lembrar que aprender política em sala de aula também é importante. “Não precisa ensinar partidarismo na escola, mas política sim, para sabermos onde o mundo vai chegar.”

O monge beneditino Marcelo Barros direcionou a fala para o aspecto de que, cada vez mais, é necessário ter consciência que o espírito vive em nós. “A espiritualidade é o caminho da iluminação”. Para ele, a sociedade está perdendo a alma e o mundo foi tomado por intolerância e ódio. Para refletir sobre a desigualdade social, apresentou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que demonstra 70 mil brasileiros com mais da metade da renda do país. “Essa maioria de milionários foi formada em colégios católicos. O que isso significa para nós? O que a educação está fazendo? Qual o seu papel? De uma educação espiritual e de discernimento. É preciso mudar, fazer a conversão ecosocial”, enfatizou.

Segundo Marcelo Barros, três elementos são fundamentais à espiritualidade na educação: o encantamento, a superação do individualismo e a esperança. “Nós temos uma missão essencial e urgente. Vamos nos unir para a gente não perder a alma”, finalizou.

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