Por uma educação com mais emoção e espiritualidade

Marcelo Barros, Monja Coen e Ir.Murad sugerem educação integradora. Foto: Reinaldo Fontes
Marcelo Barros, Monja Coen e Ir.Murad sugerem educação integradora. Foto: Reinaldo Fontes

A poesia Retrato, de autoria de Cecília Meireles, serviu de inspiração para o início da mesa redonda no tema “Emoção, Espiritualidade e Ciência”, realizada, na tarde desta quinta-feira (13/10), durante o 5º Congresso Internacional Marista de Educação, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/PE. A atividade, mediada pelo coordenador da área de Vida Consagrada e Laicato da União Marista do Brasil (UMBRASIL), Ir. Natalino Souza, contou com a colaboração dos palestrantes Afonso Murad, Irmão da Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN), Marcelo Barros, Monge Beneditino da Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT), e Monja Coen, do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e ViaZen.

Com o objetivo de convidar os congressistas à reflexão do tema da espiritualidade na educação, Ir. Afonso Murad explanou sobre a encíclica do Papa Francisco Laudato Si e a educação Cristã – ecologia integral e o cuidado com a casa comum. Para o Irmão, o desafio dos educadores é formar estudantes cidadãos, conectados ao mundo. “Como desenvolver a consciência planetária nos estudantes?”, questiona Ir. Afonso aos presentes, ao responder. “Primeiro pelo encantamento e segundo pela indignação que suscita a consciência na gente; precisamos retomar a perspectiva de que tudo está interligado e superar o antropocentrismo”, exemplificou, ao trazer elementos importantes na fala sobre o cuidado com o planeta.

Religiosos acolhidos pelo mediador, Ir.Natalino Guilherme Souza. Foto: School Picture
Religiosos acolhidos pelo mediador, Ir.Natalino Guilherme Souza. Foto: School Picture

Para Ir. Afonso Murad, o espírito de Deus se faz presente no mundo e ele renova a criação. “Cada criatura tem valor por si mesmo, independente da sua importância para o outro. Esse novo olhar, de respeito, tem que tocar as ações pedagógicas”, argumentou ao afirmar que a escola confessional deve investir no conhecimento e nas relações.

Murad alertou, ainda, para o perigo do paradigma tecnocêntrico quando é utilizado de maneira incorreta. “Que futuro estamos deixando para as futuras gerações?”, questiona, mais uma vez, o Irmão. A partir dessa indagação, ele relatou que o planeta passa por uma crise socioambiental e o Papa Francisco propicia um novo estilo de vida. “Ele nos convida à conversão pessoal. Precisamos investir nos leigos e na formação de jovens protagonistas, na política ambiental, estimular visitas a parques ambientais e promover a alimentação saudável e o exercício da ecoespiritualidade”, indicou.

À luz do tema do debate, a Monja Coen, na ocasião, relembrou que os seres humanos estão irmanados biologicamente e integram uma única espécie. Além disso, lembrou da crise pela qual o mundo passa. “Estamos vendo coisas perigosas no mundo, como o neonazismo, por isso é preciso educar para que as pessoas não sejam manipuladas e aprendam a pensar e a fazer escolhas”, disse. Para ela, o mais importante para o professor é amar a profissão e os estudantes.

Na sequência, Monja Coen elucidou que as realidades devem ser adaptadas para o que é verdadeiro e traz sentido.  “Quais os valores pelos quais fazemos as nossas escolhas? Na sala de aula é importante ter o professor aberto a ensinar. Mais importante que formar currículo é formar o ser humano”, afirmou ao lembrar que aprender política em sala de aula também é importante. “Não precisa ensinar partidarismo na escola, mas política sim, para sabermos onde o mundo vai chegar.”

O monge beneditino Marcelo Barros direcionou a fala para o aspecto de que, cada vez mais, é necessário ter consciência que o espírito vive em nós. “A espiritualidade é o caminho da iluminação”. Para ele, a sociedade está perdendo a alma e o mundo foi tomado por intolerância e ódio. Para refletir sobre a desigualdade social, apresentou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que demonstra 70 mil brasileiros com mais da metade da renda do país. “Essa maioria de milionários foi formada em colégios católicos. O que isso significa para nós? O que a educação está fazendo? Qual o seu papel? De uma educação espiritual e de discernimento. É preciso mudar, fazer a conversão ecosocial”, enfatizou.

Segundo Marcelo Barros, três elementos são fundamentais à espiritualidade na educação: o encantamento, a superação do individualismo e a esperança. “Nós temos uma missão essencial e urgente. Vamos nos unir para a gente não perder a alma”, finalizou.

Diálogo sobre relacionamento e representação em rede mobiliza lideranças

Foto: Juliana Simões
Marlene Marchiori motivou o diálogo entre os participantes. Foto: Juliana Simões

Os integrantes do 5º Congresso Internacional Marista de Educação participaram da mesa-redonda “Relações e Representações Institucionais: novos olhares e a importância para as organizações e para a sociedade”, realizada na manhã desta quinta-feira, 13/10. Coordenada por Lidiane Amorim, gerente de Comunicação Corporativa da Província Marista Brasil Sul-Amazônia (PMBSA), o espaço proporcionou o diálogo sobre a importância do relacionamento nas organizações e no contexto da Representação Institucional (RI). Além das lideranças das províncias do Brasil Marista, o evento reuniu gestores de organizações parceiras e instituições convidadas. A motivação inicial foi feita pela consultora e pesquisadora das áreas de gestão e comunicação, professora Marlene Marchiori.

A cultura organizacional e a abertura para o outro como forma de aprendizagem e desenvolvimento, assim como a convocação para o relacionamento em rede foram as ênfases das reflexões apresentadas por Marchiori. A pesquisadora relembrou que o que somos (cultura e identidade) devem ser totalmente alinhados com a forma como somos vistos (reputação e imagem). “Os resultados dos relacionamentos baseados nos propósitos, no valor interno e na abertura institucional são sempre a longo prazo, mas fundamentais, uma vez que ninguém faz nada sozinho”, afirmou.

Ela também alertou que hoje as organizações estão mais preocupadas em celebrar do que construir processos. No entanto, é tempo de olhar para dentro e para o todo a fim de dar valor à atividade que o profissional desempenha. A reflexão de Marchiori foi complementada pela contribuição da coordenadora da área de Relações Institucionais da União Marista do Brasil/UMBRASIL, Leila Paiva, que afirmou que hoje vivemos um tempo em que, por vezes, o espetáculo individual compromete a construção coletiva.

As atividades da manhã foram complementadas com apresentações dos representantes das instituições parceiras. Eles abordaram a estruturação das respectivas áreas e relataram os ganhos e desafios quanto a temas como compliance, incidência governamental e relacionamento com interlocutores, sendo estes elementos fundamentais ao alinhamento da atuação e fortalecimento institucional. Participaram da atividade Iara Rolnik, gerente de conhecimento do Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (GIFE); Bernhard Smid, representante da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG) e Evandro Ribeiro, secretário executivo da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC).

A iniciativa representou a continuidade da articulação desenvolvida, nos últimos anos, por essas organizações e pelo Brasil Marista em importantes debates sobre temas como a promoção de educação de qualidade, participação nos espaços democráticos, filantropia e defesa de direitos de crianças, adolescentes e jovens.

Transdisciplinaridade possibilita novos saberes

Maria Cândida e José Pacheco apresentaram novas perspectivas e modelos para a educação de crianças e jovens. Foto: School Picture
Maria Cândida e José Pacheco apresentaram novas perspectivas e modelos para a educação de crianças e jovens. Foto: School Picture

Como garantir a aprendizagem integral dos estudantes? Quais os modelos e métodos a serem adotados para a adesão a essa proposta educacional? As questões foram discutidas em 13 de outubro, no Congresso Internacional Marista de Educação, com a participação dos pesquisadores Maria Cândida Moraes e José Pacheco.

A convidada explicou o conceito da transdisciplinaridade, tema recorrente nos debates nas escolas. Segundo a doutora em Educação, a pedagogia transdisciplinar favorece o desenvolvimento humano, com a valorização do conhecimento. “A transdisciplinaridade é o que está entre, através e além das disciplinas. E o que está além é o sujeito”, comenta. Com a aplicação e o desenvolvimento desse conceito, os estudantes terão outros saberes, que não os acadêmicos, mas os ligados ao afeto, imaginário, à arte, intuição e dimensão espiritual.

Já o educador José Pacheco instigou os congressistas a refletir sobre os modelos educacionais aplicados nas escolas. Para ele, são necessárias audácia e solidariedade para garantir a educação de qualidade. “É preciso redefinir o conceito de escola, pensar nela em sua totalidade. Escolas são pessoas e pessoas são os seus valores”, diz. O pedagogo afirmou, ainda, que os processos atuais não criam condições para que todos aprendam. “O plano pedagógico não é cumprido. Além disso, precisamos nos questionar por que existe aula, série e turma. Por que todas as escolas começam as atividades no mesmo horário?”, ressalta.

Pacheco comentou, também, sobre o Projeto Âncora, que acompanha o ensino de diversas escolas, e apresentou experiência na cidade de Cotia (SP), onde os alunos decidem o que gostariam de aprender e os professores dão apoio e subsídios. Ao final da palestra, dúvidas dos congressistas foram esclarecidas referente aos temas apresentados.

Acesso às tecnologias gera debate com educandos maristas

Equipe do debate sobre tecnologias na formação educacional. FOTO: Letícia Pina.
Equipe do debate sobre tecnologias na formação educacional. Foto: Letícia Pina.

A dimensão do uso das tecnologias na formação educacional foi o tema trabalhado, na manhã desta quinta-feira (13/10), com os estudantes do 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias, em Olinda/PE. O mediador do encontro, Sílvio Augusto Langer, da Província Marista Brasil Sul-Amazônia (PMBSA), convidou os palestrantes Domingos Sávio, diretor do Centro Marista Circuito Jovem – Recife (CMCJ), e o professor de História da rede de ensino de Pernambuco, Wilson Falcão, para troca de vivências acerca do assunto.

Como forma de reflexão, Sílvio Langer alertou para o uso consciente das mídias sociais. “A tecnologia não é uma opção, ela está presente nas nossas vidas. Cabe a nós estabelecermos os limites para que possa potencializar as nossas relações”, lembrou o mediador. Na ocasião, Domingos Sávio abriu o debate ao mencionar que, há quase 20 anos, vivenciava a experiência de ser estudante Marista. Hoje a responsabilidade de partilhar com a nova geração o que aprendeu, em especial, sobre estarmos ou não conectados. De acordo com ele, é importante falar sobre a inclusão digital, uma vez que, aproximadamente, 40 mil pessoas nunca tiveram contato com a tecnologia.

Educandos interagem com palestrantes. Foto: Letícia Pina.
Educandos interagem com palestrantes. Foto: Letícia Pina.

Para a educanda Alice Marques, do Colégio Marista Pio X, de João Pessoa/PB, “estamos incluídos digitalmente e excluídos socialmente. Nós comandamos a máquina e não ao contrário. Somos o seres pensantes e a internet é a extensão do nosso mundo”, comentou a jovem de 16 anos. Ainda como parte da atividade, o professor Wilson Falcão apresentou curtas metragens produzidos por ele, sobre a ressignificação da escola por meio da linguagem audiovisual. O educador usa conteúdos disciplinares de maneira descontraída e desafiadora.

Especialistas defendem currículo diversificado na Educação Básica

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Ir. José Wagner Rodrigues conduz a mesa redonda. Foto: Juliana Simões

Tratado como peça importante da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o currículo foi o tema central da mesa redonda promovida na manhã desta quinta-feira, 13 de outubro, no terceiro dia da programação do 5º Congresso Internacional Marista de Educação. A atividade trouxe reflexões de três educadores, que apresentaram seus estudos e ideais, sob a mediação de Ir. José Wagner Rodrigues da Cruz, vice-presidente das mantenedoras UBEE-UNBEC.

Marcos Villela Pereira (PUCRS) iniciou a rodada de discursos sobre a participação no estudo da Base Nacional, com os avanços feitos a partir da adoção de estratégia de debate focada na valorização de cenário comum não excludente, em detrimento de visões particulares. “Quanto maior a diversidade de sujeitos inseridos dentro de uma comunidade escolar, maior será a variedade de processos de aprendizagem. É isso que construímos ao sermos menos fóbicos”, argumentou.

Ana Selva discorre sobre os desafios da Base Nacional Comum Curricular. Foto: Juliana Simões
Ana Selva discorre sobre os desafios da Base Nacional Comum Curricular. Foto: Juliana Simões

A representante da Secretaria de Educação de Pernambuco, Ana Coelho Selva, abordou os desafios e perspectivas para a BNCC e enalteceu a necessidade de criação de currículo abrangente que valorize a formação cidadã e não somente a preparação do aluno para exames. Ao tratar da segunda fase de construção da BNCC, que recebeu mais de 12 milhões de contribuições, Ana defendeu o uso de calendário de implementação que permita a apropriação e transição das instituições de ensino às mudanças, a fim de evitar fatos inesperados como a recente medida provisória que estabelece reformas no Ensino Médio.

A socióloga Rita Coelho, da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação/MEC, reforçou a ampliação da discussão sobre a importância da Educação Infantil no Sistema Educacional, a partir de dimensões como o cuidado no contexto pedagógico do nível de ensino. Ao mencionar as Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil, ela defendeu as centralidades inerentes ao processo de formação das crianças, reiterando, assim como os demais convidados, a não equiparação do currículo à BNCC.

Congressistas conhecem novas publicações do Sistema Marista de Educação

Foto: School Picture
Foto: School Picture

Os participantes do 5° Congresso Internacional Marista de Educação e do 2° Congresso Marista de Educandos e Famílias participaram de lançamento do Sistema Marista de Educação, na noite do dia 12 de outubro, que incorpora às suas soluções mais duas novas propostas educacionais: o Sistema Marista de Educação – Ensino Religioso e o Sistema Marista de Educação – Ensino Médio.

A primeira, voltada para o Ensino Fundamental I, estimula o diálogo entre diferentes culturas e crenças. Os livros, destinados aos estudantes do 1º ao 5º ano, estão organizados em módulos, com variedade de seções e boxes que permitem a problematização dos temas estudados, a ampliação do repertório e a sistematização dos conhecimentos. Já a segunda coleção, voltada ao Ensino Médio, é organizada a partir dos 11 componentes curriculares: Língua Portuguesa, Matemática, Química, Física, Biologia, Sociologia, Geografia, História, Arte, Filosofia e Literatura e outras Artes. Apresentados de maneira interdisciplinar, contam com atividades e seleção de exercícios que preparam os estudantes para os exames vestibulares do país e para o ENEM.

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Foto: School Picture

O Sistema Marista de Educação é uma proposta acadêmica e de gestão escolar que alia os conhecimentos da sociedade com o jeito Marista de educar, balizado no projeto educativo da instituição e em suas matrizes curriculares. Hoje, beneficia cerca de 40 mil alunos em diversos estados do Brasil.

Representando o presidente do Grupo Marista e da FTD Educação, Irmão Delcio Balestrin, o Irmão Rogério Mateucci, vice-presidente do Grupo Marista, mencionou a importância do novo sistema de ensino. “Ele é fruto da coragem e da abertura ao diálogo. Continuamos unidos para manter e elevar o nível da educação, com o intuito de formar crianças e jovens segundo o Evangelho”, finalizou.

Sentidos e horizontes da educação são tema de mesa redonda

Madalena Freire aborda o tema ”Da paixão de aprender à paixão de ensinar”. Foto: Juliana Simões
Madalena Freire aborda o tema ”Da paixão de aprender à paixão de ensinar”. Foto: Juliana Simões

Nesta quinta-feira (13/10), terceiro dia do 5º Congresso Internacional Marista de Educação e, também, do 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias, os participantes acompanharam a mesa redonda sobre o tema “Educação do amanhã: sentidos e horizontes”, coordenada pelo Irmão da Província Marista Brasil Sul-Amazônia (PMBSA), Manuir Mentges, ao lado dos facilitadores Pedro Demo, professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília  (UnB), e  Madalena Freire, coordenadora do curso de formação de professores de educação infantil no Instituto de Educação Superior (Pró-Saber/RJ).

Madalena Freire iniciou o debate ao abordar o tema “Da paixão de aprender à paixão de ensinar”. Com foco central no sujeito, ela salientou que a paixão de aprender, no fundo, é viver uma eterna agonia, ansiedade e questionamentos. “Os educadores necessitam localizar a inspiração da concepção de educação, que eu denomino como democrática. A concepção é centralizada no ser humano, naquele que pensa, constrói conhecimento com capacidade e competência para o pensar reflexivo”, argumentou.

De acordo com Madalena, o bem valioso do ensinar e aprender não é o conteúdo da matéria, mas o humano que aprende e é multiforme. “Nós só vamos aprender por amor ou ódio. E o contrário do amor não é o ódio, é a negação do sujeito humano. Ele é a preciosidade da educação”, afirmou a facilitadora. Segundo a pedagoga, o sujeito da aprendizagem nasce no grupo privado familiar, que também exerce papel de educador. “A escola dicotomiza e exclui a família da prática e reflexão de educar”, criticou Madalena, ao provocar os presentes a pensar a escola não como a extensão da família, mas como espaço público de educação.

Pedro Demo assumiu a segunda parte do debate ao apresentar o tema “Para aprender como autor”. Na fala, sinalizou que mudar a escola pressupõe mudar o professor e que o currículo não é o maior problema das escolas. “O maior problema é que não se aprende”, alertou. Para ele, no atual cenário educacional, é necessário substituir o sistema de ensino pelo sistema de aprendizagem. “Por que a escola de hoje não é feita para o estudante aprender, mas sim para o professor dar aula”, ratificou. Para Demo, aprender como autor pressupõe a educação que vem de dentro, com conhecimento científico. “É tornar o estudante um pesquisador, para que possa pensar e fazer a leitura da realidade”, explicou.

Dados apresentados pelo palestrante apontam que, na cidade do Recife, a evolução no nível de aprendizagem dos estudantes, dos 4º/5º anos do Ensino Fundamental, saltou de 11,6% (2005) para 29,2% (2013), em Língua Portuguesa. No caso da Matemática, a aprendizagem na disciplina teve aumento de 4,4% (2005) para 21,6% (2013). Nos 8º e 9º anos, os índices em Língua Portuguesa são de 6,4% (2005) e 20,1% (2013) e, em Matemática, 3,6% (2005) e 8,3% (2013). “Essa evolução é pouca. Copiar conhecimento não adianta. O estudante precisa saber se confrontar, precisa saber construir conhecimento e questionar esse conhecimento”, afirmou.

 

Feira de Expositores movimenta o Congresso Marista

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Experiência no equipamento gerador de arrepios. Foto: Tamirys Torres

O 5º Congresso Internacional Marista de Educação traz na programação feira de expositores e patrocinadores durante os três dias de evento. Entre os 31 participantes, encontram-se empresas, das mais diversas áreas, em stands que estão abertos à visitação. “A feira é uma excelente oportunidade de geração de negócios,” ressaltou Gisela Latache, integrante da Assessor, que atua na área de eventos.

Com 40 anos de mercado, a Romatex trabalha com equipamentos para laboratório de Física, Química, Matemática e Engenharia para cursos técnicos. “Estamos fazendo o lançamento exclusivo do nosso produto, aqui, no 5º Congresso Internacional Marista de Educação. O projeto Ciência Fácil traz brinquedos educacionais com proposta lúdica e científica, que buscam aliar a sensibilidade do ensino com a prática, explicando a maioria das leis da Física. É uma linha com mais de 40 equipamentos, desenvolvida pelo professor da PUC do Rio Grande do Sul, Luiz Scolari”, destacou Cristina Messa, da Romatex.

Outra expositora é a Green Corretora, especializada em seguros para as instituições de ensino, principalmente os de garantia financeira e acidente pessoal de responsabilidade civil. “Atuamos nesse segmento há quase 20 anos e temos, em nível nacional, 450 mil alunos assegurados.”, lembrou Maurício Neves, diretor da Green Corretora.

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Stand da corretora de seguros QHCare. Foto: Tamirys Torres

Ainda no ramo de seguros, a QHCare oferece serviços na área de benefícios. “A nossa veia é muito mais voltada para a gestão da saúde. O foco é trabalhar em cima da prevenção e diminuir gastos, tendo muito mais eficiência nos resultados. Em relação a nossa participação no Congresso, é muito legal ver as pessoas vindo nos visitar, nos reconhecem como cuidadores dos seus benefícios”, enfatizaram os diretores da QHCare, Andréa Hamparian e Mauro Júnior.

Entre os stands mais visitados estão, também, os que produzem e vendem artesanatos regionais. A feira busca atingir um público de aproximadamente duas mil pessoas dos dias 11 a 14 de outubro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/PE.

Educadores debatem o papel das tecnologias no processo de aprendizagem

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Mesa dos Relatos de Experiências Tecnologias Educacionais. Foto: Juliana Simões

O uso das Tecnologias Educacionais (TE) nos processos de aprendizagem foi um dos destaques da tarde de atividades do segundo dia do 5º Congresso Internacional Marista de Educação. O painel teve relatos de experiências de especialistas, que trouxeram boas práticas de ambientes escolares, sob a mediação da educadora Adriana Kampff (PMBSA e Unisinos).

A primeira relatora da atividade foi a educadora Helaine Mara Fóscolo (PMBCN), que trouxe abordagem conceitual e metodológica do estudo dos sistemas de equações matemáticas de primeiro grau. No modelo de aprendizagem apresentado, o estudante conta com o suporte do Winloft, software livre que permite, de forma lúdica, a construção e resolução de problemas por meio da interpretação visual, o que facilita a assimilação dos jovens.

O supervisor de TE Silvio Langer (PMBSA) exibiu na sequência o projeto Conexões, que trabalha com o conceito de convergência digital em sala de aula e tem como principal objetivo o empoderamento dos educadores, a partir do uso de dispositivos móveis durante os estudos. A iniciativa, aplicada inicialmente em dois colégios pilotos, disponibilizou tablets aos docentes das unidades, que a partir de momentos de formação para uso e aplicação pedagógica, passaram a desenvolver aulas mais interativas e colaborativas com os estudantes e aprofundar a construção dos saberes em cada área do conhecimento.

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Dr. Jarbas Barato, palestra sobre Tecnologias Educacionais. Foto: Juliana Simões

Os novos espaços digitais escolares foram o tema da exposição da educadora Caroline Ferreira Cerqueira (PMBCS), que destacou a implantação e os benefícios pedagógicos do novo ambiente digital das escolas da Província, responsável por promover uma maior gestão dos planejamentos, acompanhamento das atividades, integração das tecnologias já utilizadas e preenchimento das lacunas curriculares. Com o modelo, estudantes, educadores e famílias se envolvem com diferentes ferramentas ligadas ao processo de aprendizagem, como blogs, fóruns, envio dinâmico de trabalhos, entre outros.

“Tecnologia é imaginação”. Esta foi a temática da fala do mestre em Tecnologias Educacionais Jarbas Novelino Barato, durante a palestra complementar do painel. Idealizador de uma proposta de redação cooperativa com jovens, Barato valorizou o papel do professor no processo de encantamento do estudante pelo meio tecnológico. “O professor também precisa subir ao palco e contracenar”, afirmou.

Conferência destaca a espiritualidade na formação dos jovens

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Mesa composta por Ir. Iranilson Lima e o conferencista Frei Betto. Foto: School Picture

Frei Betto foi o convidado do 5º Congresso Internacional Marista de Educação para ministrar, nesta quarta-feira (12/10), no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/PE, a conferência no tema “Educação, Espiritualidade e Protagonismo Social”. Na apresentação, o escritor com mais de 60 livros publicados, afirmou que as escolas tradicionais católicas enfrentam uma crise de valores. “Temos que nos perguntar onde estamos errando. Hoje, os estudantes vivem no mundo bipartido, ou seja, ao mesmo tempo que estão em sala de aula também utilizam a internet”, comentou. Para ele, as novas gerações de jovens são dependentes dos celulares e revelam sintomas da falta de valores e de grandes atritos pessoais. O Ir. Iranilson Lima, diretor do Colégio Marista São Luis, mediou a mesa e destacou que ”fé, cultura e vida são aspectos centrais do projeto educacional Marista”.

Na oportunidade, Frei Betto relembrou os estudos antigos que apontavam a ciência e a tecnologia como a solução dos problemas sociais, quando a fé já não importava. “Nas trilhas da modernidade, podemos perceber grandes avanços, porém, conseguimos pisar na lua e não colocamos os ingredientes essenciais na barriga de crianças que ainda padecem de fome”, alertou o Frei, ao fazer críticas ao sistema capitalista moderno e ao consumismo. Segundo ele, a sociedade caminha para a pós-modernidade, mas sem o paradigma dessa época. “O que observamos em sala de aula é a falência de um tempo que prioriza a mercantilização, tudo vira produto de mercadoria, desconsidera as questões sociais e a religião”, argumentou.

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Frei Betto apresenta o tema ”Educação, espiritualidade e protagonismo social. Foto: School Picture.

Ao final, ele elencou os motivos da existência das escolas e questionou. “A escola existe para formar mão de obra qualificada para o mercado?”. Ao momento que respondeu. “A escola existe para formar pessoas felizes, com consciência crítica e protagonismo social, que possibilite viver intensamente à liberdade, a lidar com o pluralismo e a tolerância. É a possibilidade de sonhar com outros mundos possíveis”, explicou.

Para o Frei, há uma sede de espiritualidade nos jovens. “Os jovens querem viver a experiência com Deus, a experiência do amor”, ratificou ao dizer que o desafio das escolas atuais é evitar que o paradigma da pós-modernidade seja o mercado e assegurar o que o Papa Francisco nos pede, a globalização da humanidade.