Brasil Marista discute educação de qualidade

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Congressistas interagem nos intervalos culturais. Foto: School Picture

De 11 a 14 de outubro de 2016, aconteceu o 5º Congresso Internacional Marista de Educação, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/ Brasil. Com o tema “Educação de Qualidade: sentidos, experiências e horizontes”, o evento, promovido pela União Marista do Brasil (UMBRASIL), reuniu mais de 2 mil educadores e gestores, entidades vinculadas à educação e convidados nacionais e internacionais para discutir a promoção do direito a uma educação integral de qualidade.

A cerimônia de abertura retratou a presença Marista no país e no estado de Pernambuco na formação e evangelização de crianças, adolescentes e jovens. Na acolhida aos participantes, o Ir. Valter Pedro Zancanaro, coordenador-geral do evento, ressaltou a importância de discutir o futuro da educação. “Nosso desejo é que seja um tempo significativo de conhecimento, de aprendizagens, de diálogos e interlocuções, de vivências marcantes e produtivas”, destacou o Irmão. Durante os quatro dias do evento, os 150 conferencistas, entre eles grandes nomes da educação como Leonardo Boff, Bernard Charlot e Jorge Larrosa, falaram sobre “emoção, espiritualidade e ciência”, “educação do amanhã: sentidos e horizontes”, “educação, cuidado e ecologia” entre outros assuntos que contribuem para uma educação de excelência acadêmica.

Educandos realizam flash mob no encerramento do Congresso. Foto: School Picture
Educandos realizam flash mob no encerramento do Congresso. Foto: School Picture

Em paralelo ao 5º Congresso Internacional Marista de Educação, aconteceu o 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias que tratou de temas de grande relevância para a realidade dos jovens. Cerca de 100 jovens maristas falaram sobre suas experiências, a realidade na sala de aula e o futuro da educação. Para a educanda Karine Machado Giordani, da Província Marista Brasil Sul-Amazônia, a experiência foi inesquecível. ”Foi muito bom poder vivenciar este espírito Marista de união e de CUIDADO, pois como disse Leonardo Boff: O ser humano não é nem espírito, nem criatividade, nem inteligência: ele é cuidado.  E é nosso dever transmitir esse amor e esse cuidado. Somos feitos de sonhos e desejos para Frei Betto, então, que a partir de agora possamos sonhar, e mais do que isso, acreditar que podemos sim, fazer a DIFERENÇA”, afirmou Giordani.

 

Comunicação de Trabalhos Científicos

Em sua primeira edição no Congresso Marista de Educação, a Comunicação de Trabalhos foi um sucesso. Com mais de 50 comunicações orais, 200 trabalhos acadêmicos, 20 pôsteres e 30 relatos de experiências apresentados, a Comunicação foi uma grande oportunidade para troca de experiências. “Os Trabalhos Científicos enriqueceram o 5º Congresso Internacional Marista de Educação. Foram espaços em que as convivências se transformam em aprendizagem e partilha de saberes entre os jovens, pesquisadores e profissionais da área de educação.  Pudemos atualizar o conhecimento e motivar para novos estudos e pesquisas”, afirmou o coordenador da Comissão Científica, Ricardo Mariz.

 

A multiculturalidade e a espiritualidade foram marcantes no 5º Congresso Internacional Marista de Educação. Exaltando o Carisma Marista e a riqueza da cultura nordestina, nos momentos de reflexão e envio, estudantes maristas das cidades de Surubim, Natal, Recife e João Pessoa realizavam apresentações culturais que encheram os olhos e os corações dos congressistas.

 

Larrosa pede renovação do mundo no encerramento do Congresso Marista

Larrosa trouxe na apresentação a crença em uma educação mais lúdica, menos padronizada e mais subjetiva. Foto: School Picture
Larrosa trouxe na apresentação a crença em uma educação mais lúdica, menos padronizada e mais subjetiva. Foto: School Picture

Aguardado pelo público do 5º Congresso Internacional Marista de Educação e 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias, o professor e doutor em pedagogia Jorge Larrosa, da Universidade de Barcelona, foi responsável pela conferência de encerramento do evento, em 14 de outubro, intitulada a “A educação entre o amor ao mundo e o amor ao novo”.

Conhecido e projetado internacionalmente pelos livros e participações em estudos relacionados à educação, Larrosa trouxe na apresentação a crença em uma educação mais lúdica, menos padronizada e mais subjetiva. O amor nas relações, sobretudo em processo educativo baseado no cuidado é, segundo ele, o caminho para uma aproximação ainda maior entre estudantes e educadores e, consequentemente, entre as diferentes gerações sociais. “As gerações precisam se aproximar para que a crise da mediação termine. Hoje, as pessoas não estão interessadas em compartilhar experiências de épocas distintas”, proferiu.

O educador também destacou a necessidade de mudança na apropriação do tempo que, segundo ele, precisa ser respeitado para que o ser humano em processo de formação possa desenvolver a autonomia. “O tempo da educação é lento. A aprendizagem por ser acelerada, a educação não”, afirmou. Na mesma linha, citou a sala de aula como espaço de protagonismo que perde o caráter público, bem como as próprias propostas pedagógicas engessadas nas escolas. Para ele, é preciso dar valor à imprevisibilidade, de forma que as crianças brinquem com o mundo de diferentes maneiras.

Os aspectos apresentados pelo espanhol convergiram para a teoria de que o mundo precisa ser renovado, sobretudo pela ação dos mais novos. Nesse contexto, Larrosa ponderou que são eles os maiores agentes de futuras transformações, mas que precisam saber ouvir e se deixar guiar por figuras como os professores. “O professor precisa estar apto a oferecer ao aluno um caminho de tempo e de luz, isto é, mostrar o que vale a pena”, concluiu.

Pesquisadores apontam novas concepções de avaliação

Jussara Hoffmann falou sobre  avanços em concepções e práticas de avaliação. Foto: Reinaldo Fontes
Jussara Hoffmann falou sobre avanços em concepções e práticas de avaliação. Foto: Reinaldo Fontes

Avaliação das aprendizagens: construindo caminhos para a educação de qualidade. Esse foi o tema da mesa redonda realizada, na última sexta-feira (14/10), durante o Congresso Internacional Marista de Educação, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/PE. Sob o tema “Educação de qualidade: sentidos, experiências e horizontes”, o evento reuniu mais de duas mil pessoas, no período de 11 a 14 de outubro.

Contribuíram com o debate a Jussara Hoffmann, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que abordou os Avanços em concepções e práticas de Avaliação, e Valderez Rosário, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), acerca da Avaliação: uma contínua reconstrução. A mesa foi coordenada por Cíntia Marques, da Província Marista Brasil Sul-Amazônia (PMBSA).

No diálogo com os educadores, Jussara disse que o professor deve ser consciente de que a avaliação interna aplicada pelas escolas não pode ser igual às avaliações externas, a exemplo do Enem e Enad. “Uma boa educação leva qualquer aluno a enfrentar bem prova classificatória”, afirmou a palestrante, ao apontar novos caminhos na concepção das avaliações. “Elas devem formar para a vida, valorizar as singularidades e a individualização das áreas do conhecimento. Ninguém conhece o aluno a partir da nota. Professores devem formar estudantes autônomos, críticos, participativos; esses devem ser os objetivos de uma escola que busca a educação integral “, afirmou.

Valderez aposta em modelo de ensino por construção, avaliação formativa e a indissociabilidade entre ensino, aprendizagem e avaliação. Para ela, outro aspecto importante são as avaliações focadas em alunos com necessidades educacionais especiais. “A avaliação deve ser a mesma, formativa, pois as práticas educacionais não excluem a inclusão”, declara.

 

Professores analisam o atual cenário político educacional

Especialistas trouxeram dados que demonstram como está a educação brasileira. Foto: Reinaldo Fontes
Especialistas trouxeram dados que demonstram como está a educação brasileira. Foto: Reinaldo Fontes

Para discutir o atual cenário das políticas educacionais, os pesquisadores Célio da Cunha e José Carlos Libâneo apresentaram palestra, na tarde do dia 13 de outubro, durante o 5° Congresso Internacional Marista de Educação e do 2° Congresso Marista de Educandos e Famílias.

Em sua fala, Célio abordou o trabalho do Ministério da Educação, diante da recente mudança de presidente no país. Com o novo ministro, novas diretrizes foram criadas e definido o planejamento. O doutor em educação destacou as dificuldades enfrentadas nas escolas. “Se o Ministério da Educação enfrenta dificuldades nas práticas de gestão, consequentemente, toda a equipe escolar vai sofrer”, comenta.

Já Libâneo contextualizou a atual situação das escolas públicas brasileiras, marcada, segundo ele, pelas desigualdades educacionais. O especialista afirma que dados recentes demonstram que muitos jovens têm abandonado os estudos para ingressar no mercado de trabalho e indica modelo. “Devemos buscar ligações entre os sistemas de educação e o mercado de trabalho para que o jovem saia preparado e qualificado para a função que vai desempenhar”, explica.

Libâneo também citou a falta de interesse de muitos professores em fazer com que o estudante adquira conhecimento. Em depoimentos apresentados pelo educador, a preocupação é que o estudante esteja preparado para avaliações como o IDEB e o ENEM e não para a vida e o mercado de trabalho. “Hoje vemos que muitas instituições aplicam não a política do aprendizado, mas a política da aprovação”, diz.

Temas juventude e consciência negra sensibilizam educandos

Testemunho do jornalista Jorge Teixeira, do Rio Grande do Sul. Foto: Tamirys Torres
Testemunho do jornalista Jorge Teixeira, do Rio Grande do Sul. Foto: Tamirys Torres

A partir de duas temáticas sobre juventude, os educandos participaram de mais uma atividade no último dia do 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias, em 14 de outubro. Mediado pela agente de pastoral Ana Carolina Dias, da Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS), o encontro reuniu o presidente do Conselho Estadual de Políticas Públicas da Juventude (PE), João Urbano Suassuna, e o Ir. José Aderlan Brandão, também da PMBCS, em bate papo no formato de mesa redonda.

O também secretário executivo de Políticas para Criança e Juventude de PE direcionou a fala para os direitos e deveres das juventudes a partir do tema “Participar, debater e construir: direitos e educação”.  “Os jovens precisam ter visão crítica sobre tudo. Todos sabem que eles têm força. Precisamos nos apropriar desse discurso e saber a importância da participação social e do protagonismo juvenil”, relatou. O secretário, e também neto de Ariano Suassuna, distribuiu exemplares do Estatuto da Juventude, que foi construído por diversas mãos, em debate intenso entre juventudes de várias gerações.

Educandos recebem Estatudo da Juventude. Foto: Tamirys Torres
Educandos recebem Estatuto da Juventude. Foto: Tamirys Torres

Para o Ir. José Aderlan, é importante falar da violência contra a juventude negra, já que, segundo ele, o Brasil é o segundo país no mundo com maior população negra e ainda há grande diferença de homicídios entre jovens negros e brancos. “As diferenças, que deveriam nos unir, ainda são tabu. Eu sinto que é um cenário difícil, mas precisamos materializar a esperança. A juventude negra precisa, sobretudo, se valorizar, pois reconhecer-se negro é reconhecer-se filho de Deus”, destacou.

O momento teve, ainda, testemunho do jornalista Jorge Teixeira, do Rio Grande do Sul. Como negro, ele fez a leitura da realidade diante das diferenças que vivencia e convidou os jovens a pensar criticamente.

Educandos discutem identidade de gênero

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Debate traz as questões religiosas e educacionais. Foto: Juliana Simões

A primeira mesa redonda do último dia de programação do 5º Congresso Internacional Marista de Educação e 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias trouxe ao debate um dos temas emergentes da atualidade, a identidade de gênero. O assunto foi colocado a partir da vivência e da perspectiva ideológica e teológica, tendo a participação de três convidados e a mediação de Marília Montenegro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O padre jesuíta Alex Gonçalves Pin deu depoimento com ênfase nas questões que envolvem a discussão nos âmbitos educacional e religioso. Ao salientar a diferença de presenciar e sentir a opressão, seja qual for a natureza, ele resgatou os preceitos do Cristianismo. “Os braços de Jesus não se fechavam para ninguém, por isso precisamos praticar o acolhimento. Esta é a forma de promover a união e o amor”, argumentou.

Foto: Juliana Simões
Questões de gênero e raça pautaram o debate. Foto: Juliana Simões

Com foco no debate sobre gênero e raça, Valdenice José Raimundo condenou todas as formas de preconceito, reiterando a necessidade de por fim aos estereótipos. “Movimentos que surgem para enfrentar alguma desigualdade são vistos como desconstrutores do que a sociedade considera normal”, ponderou. Ela apresentou o atual cenário da violência contra a mulher negra, que teve crescimento de 53% no número de assassinatos entre 2003 e 2013 (Mapa da Violência) e relacionou o contexto às formas de tratamento habituais. “Quando o ser humano é ‘coisificado’ ele é desumanizado, pois o processo de humanização requer relacionamento com o outro”, disse.

Foto: Maria Luisa dos Anjos
Fabianna fala sobre identidade de gênero. Foto: Maria Luisa dos Anjos

A temática da transexualidade e escolaridade foi apresentada por Fabianna Mello de Oliveira, representante da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco, que fez crítica à forma com que a sociedade, sobretudo o ambiente familiar, aborda o assunto sexualidade. “O gênero é construído, não nasce com as pessoas. A gente tem que parar de colocar as crianças em ‘caixinhas’. Não existe certo ou errado”, salientou. Fabianna também trouxe dados sobre a opressão contra transexuais, responsável por colocar o Brasil no topo da lista de países que mais mata travestis. “A desinformação e a opressão, sejam elas física ou emocional, também fazem com que muitas pessoas morram devido a tratamentos hormonais ou cirúrgicos inadequados”, concluiu.

Conferência aborda a arte de interpretar na educação

Bonder fala sobre a educação pela interpretação. Foto: Juliana Simões
Bonder fala sobre a educação pela interpretação. Foto: Juliana Simões

“A interpretação volta sempre à pergunta”. A afirmação é do rabino e líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, Nilton Bonder, durante conferência apresentada, na manhã de sexta-feira (14/10), no último dia do 5º Congresso Internacional Marista de Educação, em Recife (PE). A atividade, coordenada pelo professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rezende Avelar, proporcionou aos participantes reflexões acerca da educação com foco no ensinar a interpretar.

O conferencista abordou as funções do cérebro, comparando-o a um hardware, em uma lógica de lugar explícito e implícito para assimilar o entendimento do texto e do contexto.  “Sobre a disciplina, somos capazes de conviver com ela, sem nos tornarmos oprimidos ou infelizes”, esclareceu, ao vinculá-la ao prazer do ser humano.

Bonder também levantou o questionamento “o que é interpretar?”. Segundo o convidado, trata-se de comunicação intensa entre a capacidade literal, que olha o texto nas entrelinhas. “A pergunta é o lugar sagrado e incômodo, e a resiliência de ficar na pergunta está na disciplina”, reafirmou. Para o palestrante, a pessoa empoderada é aquela que tem curiosidade pelo saber.

Na explanação, o convidado apontou outros elementos interessantes à arte de interpretar. “Temos que preparar pessoas para que tenham a capacidade de leitura de texto, façam perguntas e releiam o contexto. É preciso voltar ao enunciado, à questão, fazer uma viagem interpretativa na literalidade”, elucidou. Ao final, Bonder deixou a mensagem de que “o ser, em condições evolutivas, quando não é tudo que ele é, não tem qualidade no próprio significado da vida”.

Irmã Dulce é homenageada no momento de reflexão

Banda Marcial toca Ave Maria. Foto: Reinaldo Fontes
Banda Marcial toca Ave Maria. Foto: Reinaldo Fontes
Ir. Miro Reckziegel lê a carta que São Marcelino Champagnat. Fpto: Reinaldo Fontes
Ir. Miro Reckziegel lê a carta que São Marcelino Champagnat. Foto: Reinaldo Fontes

 

 

 

 

 

 

 

 

O momento de reflexão do quarto dia do Congresso teve Irmã Dulce como homenageada, por sua trajetória de dedicação aos pobres. A Banda Marcial do Colégio Marista Pio XII, do Paraná, realizou a primeira apresentação de abertura sob a regência do maestro Rafael Rauski. Em seguida, o endereçou ao Ir. Bartelini e seu colaborador em 21 de janeiro de 1830. No encerramento, os Irmãos Maristas cantaram Salve Regina no Teatro Guararapes.

 

Missão e Gestão: desafios e rumos da educação marista

Jaqueline de Jesus apresenta perspectivas sobre a educação marista. Foto: Reinaldo Fontes
Jaqueline de Jesus apresenta perspectivas sobre a educação marista. Foto: Reinaldo Fontes

Na tarde de quinta-feira (13/10), foi realizado o 3º Encontro Marista de Missão e Gestão. A atividade teve início com a mesa redonda “Educação Marista: Práticas de Mercado e Educação Evangelizadora – Falso Dilema?”. Coordenada por Rogério Anele, superintendente da Rede Marista, a reunião trouxe reflexões sobre a educação marista e o mercado educativo brasileiro. Participaram o professor Pedro Demo, da Universidade de Brasília (UnB); Ir. Clemente Juliatto, ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e Jaqueline de Jesus, gerente educacional da Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN).

A acolhida foi feita pelo Ir. Ataide José de Lima, provincial da PMBCN, sobre as perspectivas para o evento. “Atentos às complexidades que despontam frente à nossa missão como Maristas, este encontro tem como objetivo refletir sobre os desafios e inquietações de se constituir uma educação evangelizadora, baseada no carisma Marista, ao mesmo tempo em que se mantém coerente com as melhores práticas de gestão”, explicou.

Ao começar as reflexões, o Ir. Clemente Juliatto compartilhou temas relacionados à gestão e fez referência a pesquisadores da área da educação, como Paulo Freire, que ressaltavam valores e princípios da docência. “Gestão e missão são coisas inseparáveis. Uma só existe se a outra estiver conectada”, lembrou. Acerca da atuação marista, Jaqueline de Jesus deu continuidade às análises do dia sobre a importância da qualidade educacional. “Temos um jeito próprio de educar. Somos referência e, a cada dia, aprendemos a fazer uma pedagogia de excelência”, afirmou. Ela falou, ainda, sobre o papel das dimensões pastorais e educacionais na formação de crianças e jovens.

O professor Pedro Demo apresentou dados do IDEB 2005- 2015 e refletiu sobre os desafios da escola em formar cidadãos preparados. “Hoje, a formação não é voltada para o aprendizado. O grande entupimento curricular não cria pessoas com educação científica, faz críticos sem utopia. Precisamos preparar protagonistas na profissão”, afirmou o educador.

Relatório Social

Foto: Letícia Pina
Leonardo Soares demonstra os indicadores do Brasil Marista. Foto: Letícia Pina

Após a mesa redonda, o assessor da área de Gestão daUMBRASIL, Leonardo Soares, apresentou os indicadores do Brasil Marista, com a evolução da educação básica e superior, e nas áreas de saúde e comunicação. Os resultados são norteadores para as ações estratégicas das províncias. “A partir deles, os gestores tomam decisões fundamentadas na realidade de cada Província”, garantiu Soares.

Ao final do 3º Encontro Marista de Gestão e Missão, foi lançado o Relatório Social do Brasil Marista, ano base 2015. Apresentada pela representante do Grupo de Trabalho do Relatório Social, Josenice Trevisani, a publicação é anual e consolida as características, as abrangências e os impactos das ações.  “As informações são fruto de trabalho de um grupo formado por representantes das três províncias” disse Trevisani.

O Encontro foi finalizado com a manifestação do Diretor- Presidente da UMBRASIL, Ir.  Deivis  Alexandre Fischer, que fez o convite aos participantes para que “caminhem juntos, para irem mais longe, rumo a um novo começo”.

Exposição traz sonhos para a escola do século 21

Exposição em frente à entrada do palco principal. Foto: Letícia Pina
Exposição em frente à entrada do palco principal. Foto: Letícia Pina

Produção artística chama a atenção dos participantes do 5ª Congresso Internacional Marista de Educação e 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias, em Olinda/PE. Os estudantes foram convidados a refletir sobre a escola que têm e a que desejam, sob a forma de intervenção cultural. Eles produziram desenhos e deixaram mensagens em caixas, dentro da dinâmica itinerante proposta para os espaços do Centro de Convenções de Pernambuco.

“Na exposição, o que os educandos revelaram é que a escola atual está muito centrada nos resultados e, em decorrência disso, não educa para a cidadania, a solidariedade e a gratuidade. Já a escola que eles querem está voltada para a humanização”, relata o Ir. Paulo Soares, coordenador de Evangelização da Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN).

Educandos produzem caixas de forma lúdica. Foto: Tamirys Torres
Educandos produzem caixas de forma lúdica. Foto: Tamirys Torres

Sob a mediação do Ir. Luís André Pereira da Silva, do Colégio Marista do Araçagy (MA), a atividade foi pautada pela expressão e troca de experiências em grupo. “De um lado, eles puderam dar forma a esse discurso, compartilhando os desafios e anseios. Em um outro momento, concretizaram a partilha pelo desenho e pela escrita. O sentimento vivenciado foi de que conseguiram apresentar, de forma muito sincera, tudo o que esperam da escola do século XXI”, explicou Ir. Luís André.