Educandos discutem identidade de gênero

g1
Debate traz as questões religiosas e educacionais. Foto: Juliana Simões

A primeira mesa redonda do último dia de programação do 5º Congresso Internacional Marista de Educação e 2º Congresso Marista de Educandos e Famílias trouxe ao debate um dos temas emergentes da atualidade, a identidade de gênero. O assunto foi colocado a partir da vivência e da perspectiva ideológica e teológica, tendo a participação de três convidados e a mediação de Marília Montenegro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O padre jesuíta Alex Gonçalves Pin deu depoimento com ênfase nas questões que envolvem a discussão nos âmbitos educacional e religioso. Ao salientar a diferença de presenciar e sentir a opressão, seja qual for a natureza, ele resgatou os preceitos do Cristianismo. “Os braços de Jesus não se fechavam para ninguém, por isso precisamos praticar o acolhimento. Esta é a forma de promover a união e o amor”, argumentou.

Foto: Juliana Simões
Questões de gênero e raça pautaram o debate. Foto: Juliana Simões

Com foco no debate sobre gênero e raça, Valdenice José Raimundo condenou todas as formas de preconceito, reiterando a necessidade de por fim aos estereótipos. “Movimentos que surgem para enfrentar alguma desigualdade são vistos como desconstrutores do que a sociedade considera normal”, ponderou. Ela apresentou o atual cenário da violência contra a mulher negra, que teve crescimento de 53% no número de assassinatos entre 2003 e 2013 (Mapa da Violência) e relacionou o contexto às formas de tratamento habituais. “Quando o ser humano é ‘coisificado’ ele é desumanizado, pois o processo de humanização requer relacionamento com o outro”, disse.

Foto: Maria Luisa dos Anjos
Fabianna fala sobre identidade de gênero. Foto: Maria Luisa dos Anjos

A temática da transexualidade e escolaridade foi apresentada por Fabianna Mello de Oliveira, representante da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco, que fez crítica à forma com que a sociedade, sobretudo o ambiente familiar, aborda o assunto sexualidade. “O gênero é construído, não nasce com as pessoas. A gente tem que parar de colocar as crianças em ‘caixinhas’. Não existe certo ou errado”, salientou. Fabianna também trouxe dados sobre a opressão contra transexuais, responsável por colocar o Brasil no topo da lista de países que mais mata travestis. “A desinformação e a opressão, sejam elas física ou emocional, também fazem com que muitas pessoas morram devido a tratamentos hormonais ou cirúrgicos inadequados”, concluiu.

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